HINO DA PRIMEIRA CARTA AOS CORÍNTIOS
Se eu falasse as línguas dos homens e até as dos anjos,
mas não tivesse amor
seria bronze que soa ou címbalo que tine.
Se tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os
mistérios e todos os
saberes,
se a minha fé fosse a ponto de mover montanhas,
mas não tivesse amor, eu nada seria.
Se repartisse pelos pobres tudo quanto tenho, e meu
corpo entregasse às
labaredas
mas não tivesse amor, nada ganharia.
0 amor paciente, repleto de bondade,
amor que desconhece inveja e não ostenta orgulho,
amor sem vaidade, que descura o próprio interesse,
e não se irrita e não suspeita mal,
o amor que não colhe alegria da injustiça, mas se alegra
com a verdade;
tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
0 amor jamais acabará:
há um tempo em que vacilam as profecias, as línguas
emudecem e o saber
desaparece
porque só em parte conhecemos e só em parte
profetizamos,
mas quando chega a perfeição
os limites apagam-se.
Quando eu era criança, falava como criança,
sentia como criança, pensava como criança:
quando me tornei homem abandonei
as coisas de criança.
Agora vemos por um espelho, e de maneira obscura, o
que depois veremos face
a face.
Agora conheço apenas uma parte, mas então
conhecerei
conforme também sou conhecido.
Agora permanecem fé, esperança, amor, todos juntos.
Mas o maior de todos é o amor.
Poema do século I, atribuído ao apóstolo Paulo. In “Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro”, Trad. José Tolentino Mendonça.
Notes
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